A história da E.S.E.
No início dos anos vinte, Estarreja tinha 33787 habitantes, nas suas nove freguesias (hoje, sete), de acordo com o Recenseamento Geral da População de Portugal de 1920.Em Outubro de 1923 o Padre Donaciano Abreu Freire empreende a fundação de uma escola de Ensino Secundario em Estarreja - o Externato de Estarreja com o 1° ano lectivo em 1923/1924, uma vez que só havia Liceu em Aveiro.
O jornal Povo de Estarreja, então criado, tornou se arauto desta jornada educativa; logo no 1° ano da sua publicação em 1924, no n° 8, de 17 de Agosto, informa: "Fundou se no ano passado em Outubro, nesta vila, um Externato destinado a habilitar alunos para o Ensino Secundário. Foi uma óptima iniciativa destinada a dar e produzir no futuro os melhores resultados (...) há muitos pais de família que, por causa da excessiva carestia de vida, não poderiam, pelas grandes despesas que isso acarretaria, educar os seus filhos em Colégios ou Liceus (...). Disso é testemunho o bom êxito colhido nos exames que os alunos fizeram este ano, no Liceu de Aveiro. Com efeito, os alunos apresentados a exame ficaram todos aprovados”.
O Externato de Estarreja manteve se durante 8 anos, ao fim dos quais o edifício se tornou pequeno perante o crescente número de alunos. "O Externato cresceu e não cabia em casa", como expressivamente refere o Prof. Jaime Vilar (“Homenagem ao Dr. Augusto César de Oliveira Marques Ramos”, in Boletim dos Antigos Alunos do Ext° Egas Moniz a Escola Secundária de Estarreja, n° 1, Setembro 1993, p.16).
Para alterar as condições da instituição, surge a ideia da criação de um semi internato e de um internato, que o Pe Donaciano realiza com empenho, com a ajuda do Pe Manuel Resende Tavares Garrido e do Dr. António da Silva Tavares. Fundam então, em 1931, o Colégio D. Egas Moniz, homenageando, assim, a figura do aio de Afonso Henriques, símbolo histórico de honra e lealdade, “o primeiro educador português”, nas palavras do Pe Donaciano.
Desde a sua fundação, o Colégio abrange os Ensinos Primário, Secundário Liceal e Comercial. Os cursos serão constituídos por turmas de alunos e alunas internos, semi internos e externos, possuindo o internato uma secção masculina e uma feminina, sendo instalado no antigo palacete da Família Leite (Foto 2).
Em 1933, o colégio é frequentado por 115 alunos. Do corpo docente do Colégio fazem parte ilustres individualidades da época; contudo, como habitual, não eram professores de carreira, na sua maioria.
Em 25 de Janeiro de 1944 é concedido pelo Ministério da Educação o alvará n° 809, que autoriza o funcionamento do que passou a chamar-se Colégio D. Egas Moniz. A partir de 1950, por despacho ministerial de 13 de Fevereiro, o colégio passará a designar-se Externato D. Egas Moniz.
Em fins de 58, dada a exiguidade do edifício, pensa se na construção de um novo, inaugurado no ano lectivo de 1960/61.
Em 1965/66, no edifício da Fontinha, é entretanto criada a secção de Estarreja da Escola Industrial de Ovar. Esta secção veio a suprir as necessidades de alunos que, com poucos recursos económicos, estavam até então impossibilitados de frequentar tanto o Externato D. Egas Moniz, como a Escola Industrial a Comercial de Ovar ou o Liceu de Aveiro.
Em 1972, em plena Reforma Educativa de Veiga Simão, com a tendência para a oficialização de considerável número de colégios particulares no país e a reconhecida insuficiência das perspectivas do ensino técnico, que limitava o acesso ao ensino superior dos alunos, começa a manifestar-se o desejo da criação do Ensino Liceal oficial em Estarreja.
Oficializado o Liceu de Estarreja (Cursos Geral e Complementar), como a imprensa diária oportunamente noticiou, por Despacho do Ministério de Veiga Simão n° 12/73, 14/73 e 15/73, ficou a sua abertura condicionada à existência de instalações (facto referido em Carta da Comissão ao Ministro da Educação Nacional, de 30/VII/73). Entretanto, e no mesmo ano, o Estado virá a adquirir o edifício do Externato D. Egas Moniz.
O Liceu nunca chegou, no entanto, a funcionar como tal, fundindo-se com a Escola Industrial e Comercial e dando origem a uma das primeiras escolas secundárias do país: a Escola Secundária de Estarreja, acontecimento a que está associado o Dia da Escola 1 de Junho.
Inicialmente, a Escola funcionará em dois edifícios: edifício 1 - antigo Externato D. Egas Moniz, e edifício 2 - o edifício da Fontinha, antiga Escola Industrial e Comercial.
A 13 de Janeiro de 1985, um incêndio destrói tragicamente o edifício da Fontinha, um solar de 1883, património municipal, emprestado pela Câmara ao Ministério da Educação, e cujo estado de conservação oferecia já pouca segurança. Ao incêndio só escaparam as instalações onde funcionavam as oficinas de têxteis, de mecânica e de electricidade.
Por outro lado, como o palacete da Rua Conde de Ferreira, temporariamente alugado pela Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Estarreja a partir de 1974/75, fora já entregue ao senhorio, e dada a necessidade de alternativas imediatas para a instalação das turmas desalojadas da Fontinha, foram aceleradas as obras de acabamento das novas instalações da Escola Secundária, situada em zona urbana residencial, no centro da vila. Com funcionamento inicial do Bloco A, os serviços administrativos viram a ser definitivamente mudados para a nova sede em Junho de 1985. No ano lectivo de 1985/86, funcionaram já em pleno os quatro blocos actualmente existentes.
Herdeira da antiga Escola Industrial e Comercial, a escola funciona, portanto, desde Junho de 1985 nesse edifício definitivo, usufruindo de amplos espaços exteriores – zonas verdes e de circulação. Em 1996 é inaugurado o pavilhão desportivo e em Agosto do mesmo ano é instalado um bloco pré-fabricado com três salas.
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